Jornal de Ilusões
     
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Amores Clandestinos

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o assunto é sexo

Tá bom, vai! Vou falar, mas só porque é pra você. Comi e não gozei. Não gozei cara! E não me olha com essa cara de fast food nem de coelho, nem de homem velocidade americano dos anos setenta, aquele dos raios na orelha, que já não sei o nome, caraleo, tô velho! Pois é, não gozei. Tem uns negos no mundo que não merecem dez do seu mas você dá 40 e depois reclama. O problema é que o nêgo furou, caiu na merda, deu, gozou, eu comi e não gozei. Não gozei porque o fulano era o tal americano de raio na orelha, ele gozou antes, bem antes, muito antes do que eu queria gozar. Filho de uma puta, tem bunda linda, de proporções pequenas, mas de extidão de formas, curvas, tensões e cheiros impressioanantes. Tem braços tensos, pós bombados, lindos, torneados, veias largas, saltadas, perfeitas. Tem abdômen certo, honesto, rasgado mas de quem sabe o que é bom de se comer, nada daquela coisa urban model, macho sabe, duro, seco, porém volume, nada de prancha com meia dúzia de riscos. Rosto simples, sem grandes complicações, com as linhas e marcações que todo homem pra ser sexy deve ter, queixo e maxilar marcados, nariz forte, olhos sempre masculinos, maçãs angulares. Ele é bonito. Pernas de pernil, de falo, cú ou rabo se melhor te afeta, doce. Mas é precoce, ejaculação precoce. E isso me fodeu.

Não nos apresentamos, nos elogiamos. Gostoso você cara. Delícia você meu. E só. Começamos sem delongas e delongas por um beijo bem de homem, o tipo de beijo que nã acontece se é de uma mulher, não dá pra uma mulher chegar nesse tipo de beijo, falta língua, falta força, falta barba numa mulher pra ela conseguir dar um beijo desses. E desce mão pelas coxas, e apalpam as mãos os glúteos dele, aqueles perfeitos de proporções pequenas, e sobe o pau a roçar na sua barriga, no seu períneo, no seu cú, ou rabo, se mehor lhe afetar. Deitei-o com bravesa na cama, nos envolvemos em um abraço tão masculino quanto o beijo, e nos consequentes encaixes que as posições que se permitem realizar estirados na cama, frente a frente, o penetrei. Duro. Reto. Direto. Em dez minutos variamos tanto, fizemos tudo e de tudo um pouco, e no enésimo, ele gozou. Covarde! Bicha! Viado, porque com "e" é animal, não é viado. Com "e" tem chifres, galhada, com "i" tem pau no cú mesmo. Viado!

Você conhece o fulano no bate papo. Fala no perfil: "sou moreno, malhado, surfista, nadador, malhador, gente fina, boa pinta, divetido, bacana e ativo". Você espera que o fulano que reponder seja tudo isso só a que áo invés de ativo seu perfil seja passivo. E eis que surge o tal. Passivão, lindo na cam, voz de homem. Macho de primeira você pensa. Pensas errado lufião. O dadeiro, o engolidor de pica não passa de um ejaculador precoce. Goza em vinte minutos e ainda faz cara de merda se você fala que curte gozar depois de uma hora atolando a vara... nele. E ele goza, na maior, esporra como se você não estivesse ali. goza pra ele. Que merda de foda, me fodi hoje. Frustrado. Meu pau esta inconformado.

Uma dica aos machos de plantão na net. Não façam isso comigo, me deixem foder seus rabos, gozem duas três quatro, quantas forem, mas aguentem firme porque eu também quero gozar, mas antes quero ver muito de tudo, antes quero entrar e sair e entrar muitas vezes, antes quero comer insano, e depois da fome saciada dou um pouco de mim para vocês, vertendo meu gozo por vocês. Aguentem firmes dadeiros.

 

 



Escrito por Tsumara Marano às 01h06
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PASSAMENTO

Sou eu que desço a rua a noite, não aquela sombra. Sou eu, iluminado por esta lua cheia. A sombra não. Ficou plantada ali, metade na parede do supermercado e metade na calçada, dobrada pela quina. Estática, inerte, catatônica. Eu continuo descendo. Claro de uma luz prateada lunar. A sombra preta. Uma mancha de nanquim de manto para cobrir palavras pretas que não se apagarão desta calçada desta parede desta rua que desço e que descerei todas as noites. Até esquecer de quando deixei minha sombra para esconder o que ouvi no momento em que você disse que.



Escrito por Tsumara Marano às 01h18
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Magneto

 

 

Nada além de nós. Pontos opostos se encarando pela primeira vez em um tempo para-dimensional, verificando as mais indeléveis falhas um do outro, onde está o campo minado do outro  sempre esperando a primeira pisada para averbar. Imãs. É o que somos, imãs. Cada partícula oposta nossa tem seu oponente oposto -  dentro de uma batalha impensável, nos completamos. Teu magneto é teu jeito guri, teu pleonasmo vicioso, repetindo em tudo o que toca a mesma pressão. Pões a mesma pressão nos teus dedos, em qualquer um. Pões a mesma pressão no rabo de qualquer um. Fazes idem , sempre, e te respondem os idem com quem sais. Sou magneto também, positivo contra o teu negativo. Tua primeira vez um positivo para o teu negativo, ou o contrário? O que te interessa é que teu positivo, sendo tu negativo, te anula. Mas te mantém ali, grudado feito imã escuro de qualquer um. Também grudarei, sou imã como tu. Exposto aos lados opostos de outro imã, terá sinergia atômica. E eu também terei. Quero a conexão. Venha em mim porque sou teu. Neste momento sou  todo teu, na afirmação que cabe a este tempo sou teu magneto. Grite letras que eu direi em teu vocábulo as palavras formadas. Quem te organiza sou eu positivo. Chore tuas lágrimas que serei o asfalto quente a incomodar a sola do teu pé e a secar tuas gotas. Ouça teus demônios e teus anjos que eu serei a tua razão. Quem te decide sou eu positivo. Retraia teus átomos e os avance positivo ao meu alcance e crie teu eu negativo em mim, porque contra tu magneto é imã e somos pólos contrários. De-me teus   pés pros meus passos e serei chão escorregadio. Mostre-me um novo dia e serei somente teu passado, ido, finado, polido para teu atual verbo e exposto nos teus álbuns. Não nos posicionaremos frente a frente em pólos iguais jamais para não nos afastarmos. O que será de nós em negativo negativo? Se chorares, transbordarei? Se beijares, transarei? Se eu praticar, praticarás tu? Na tua repulsa, me lavarei? Nem pense entretanto no positivo positivo porque seríamos babacas. The sun is shine and the sky is blue, be alive to fuck me than I will be to fuck you??? Marmelada! Se tu pisas, averbo! 

Se és magneto, serei imã, porra!

 

Tsumara marano



Escrito por Tsumara Marano às 20h43
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CONFESSO

  Confesso

 

 

Eu não sei mais para onde ir. Em qual lugar deste mundo poderei deixar de te amar? Não existem montanhas, não existem praias, não existem cidades para se deixar de amar. Não existem máquinas, nem pílulas, nem drogas que apaguem do meu coração o que sinto por você. E o que sinto e fome. Tenho um coração faminto, mas que não se alimenta de outra coisa a não ser deste amor.

Gostaria de conseguir me mostrar de outra forma, gostaria de ter as palavras certas para te dizer do jeito que você quer ouvir que eu te amo. Mas não sei nada do amor. Não sei como reagir a ele. E me perco, me confundo, atrapalho as frases, vacilo nas atitudes, fico inseguro com você na minha frente. Encaro seus olhos na tentativa frustrada de ver que em algum lugar dentro de você você ainda me ama e ainda me quer.

Ver você me ilumina. Cada segundo que eu fico do seu lado são horas em que sacio a fome do meu coração. Quando você parte é como se eu vomitasse, causa indigestão. Meu coração se encolhe, fica murcho, azeda deixando na boca o gosto amargo e ausente do beijo que eu não tive força para te pedir e que você não quais me dar. Ver você  me fascina. Fico tonto, entorpecido, tropeço, caio, deito e me arrasto. Ver seus olhos me hipnotiza, deixa meu tudo parado, suspenso em um ar rarefeito, exigido, preciso e prejudicado. Ter você, paralelamente ao que eu quero ter me machuca. Faca, corte, frustração, ferida e pus. Amar você me completa, sou todo, sou perfeito, sou meu deus e meu diabo, minha pele e meu bronze, meu calo e minha lixa, meu choro e meu guardanapo de papel, melhor e pior, vivo e natimorto.

Há poucas semanas eu tentei te matar. Entrei naquele quarto seguro que você ocupa no décimo andar do meu peito. Entrei nu, sem as máscaras que me disfarçam, sem as roupas que me defendem, sem as cordas que eu uso para descer quando eu quero. Você dormia seguro em uma cama de lençóis e travesseiros brancos. Não te matei, te acordei. Ficamos nos olhando sem dizer qualquer palavra. você entre os lençóis, eu em pé ao lado da cama. Seus olhos me diziam para eu sair, te deixar em paz, esquecer deste espaço que você tem dentro de mim e não te incomodar mais. Os meus olhos te mostravam que eu te amo, que eu estava ali para te perder mas que só conseguia achar todas as coisas lindas que um dia fizemos juntos. Abracei seu corpo e sai. Todos os dias eu insisto em te visitar. Em querer te falar que mesmo torto eu estou ali, ao seu lado, te esperando e te querendo mais do que a tudo o que eu conheço e não sei se um dia deixarei de te amar. Vou lá pra te pedir que você me ame, que você não me deixe só no mundo procurando pelas ruas em que você passou, procurando a sua voz em qualquer gravação de secretaria eletrônica que esta sempre muda. Você, sereno, abre a porta e nada diz, apenas me olha.

Onde foi que eu perdi você? Foi na noite em que menti. Não naquela noite em que menti para você e fui para uma boate qualquer. Foi na noite em que menti para mim e afirmei que eu jamais deixaria o amor me superar. Foi na imaturidade de não reconhecer o amor ou de não querer admitir que eu te amo. Eu estava enganado, o amor atropela qualquer pessoa, mesmo aquelas que se dizem fortes, íntegras e completas na sua independente solidão.

O que posso dizer hoje é que sou infeliz. Admitir a minha infelicidade e a minha incompetência em ter te feito feliz me assusta. Parece que perco as bases que me sustentam. Mas estou sendo honesto. Tardiamente. Por isso te digo que te amo, que te sinto quente dentro de mim mas que não te tenho mais - o que tenho é o amor ainda pulsando por você. O que digo é que te quero, longe, perto ou como for. Que estou disposto a tudo, a ter qualquer barreira gasta pelas minhas unhas para sentir o seu amor de novo, para não deixar o meu amor sem o seu paralelo convergente.

Neste pouco tempo em que estamos separados eu quis me reerguer. Retomei as noites de álcool e drogas que me faziam herói aos sábados. Retomei as amizades loucas, refiz os caminhos por onde corria insano antes de você entrar na minha vida. Beijei bocas das quais eu não me lembraria dez segundos depois. Bolei uma agenda secreta com os números dos homens para quem eu nunca vou ligar. Até de pobre coitado largado na sarjeta eu me disfarcei, julgando ser esta fantasia a mais apropriada para o momento em que abordei outros nas ruas e nas noites. Tudo com ar “fake”, com ar de: “o que você esta fazendo agora além de se enganar de novo? você ama intensamente uma única pessoa, e é ela quem você quer do seu lado, sentindo que esta sendo amada por você”. –

Então sangro, deixo minhas feridas abertas ao tempo para cicatrizarem sem remédios tolos que me curarão mas não me deixarão sentido algum para o que eu sinto e vivo. E digo, declaro, deixo óbvio todo o amor que eu exaspero sem jogos que exijam blefadas. Natural. E espero que a vida me dê a sorte  de te ter de novo comigo.

 

Tsumara Marano

 



Escrito por Tsumara Marano às 10h20
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