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CONFESSO
Confesso
Eu não sei mais para onde ir. Em qual lugar deste mundo poderei deixar de te amar? Não existem montanhas, não existem praias, não existem cidades para se deixar de amar. Não existem máquinas, nem pílulas, nem drogas que apaguem do meu coração o que sinto por você. E o que sinto e fome. Tenho um coração faminto, mas que não se alimenta de outra coisa a não ser deste amor.
Gostaria de conseguir me mostrar de outra forma, gostaria de ter as palavras certas para te dizer do jeito que você quer ouvir que eu te amo. Mas não sei nada do amor. Não sei como reagir a ele. E me perco, me confundo, atrapalho as frases, vacilo nas atitudes, fico inseguro com você na minha frente. Encaro seus olhos na tentativa frustrada de ver que em algum lugar dentro de você você ainda me ama e ainda me quer.
Ver você me ilumina. Cada segundo que eu fico do seu lado são horas em que sacio a fome do meu coração. Quando você parte é como se eu vomitasse, causa indigestão. Meu coração se encolhe, fica murcho, azeda deixando na boca o gosto amargo e ausente do beijo que eu não tive força para te pedir e que você não quais me dar. Ver você me fascina. Fico tonto, entorpecido, tropeço, caio, deito e me arrasto. Ver seus olhos me hipnotiza, deixa meu tudo parado, suspenso em um ar rarefeito, exigido, preciso e prejudicado. Ter você, paralelamente ao que eu quero ter me machuca. Faca, corte, frustração, ferida e pus. Amar você me completa, sou todo, sou perfeito, sou meu deus e meu diabo, minha pele e meu bronze, meu calo e minha lixa, meu choro e meu guardanapo de papel, melhor e pior, vivo e natimorto.
Há poucas semanas eu tentei te matar. Entrei naquele quarto seguro que você ocupa no décimo andar do meu peito. Entrei nu, sem as máscaras que me disfarçam, sem as roupas que me defendem, sem as cordas que eu uso para descer quando eu quero. Você dormia seguro em uma cama de lençóis e travesseiros brancos. Não te matei, te acordei. Ficamos nos olhando sem dizer qualquer palavra. você entre os lençóis, eu em pé ao lado da cama. Seus olhos me diziam para eu sair, te deixar em paz, esquecer deste espaço que você tem dentro de mim e não te incomodar mais. Os meus olhos te mostravam que eu te amo, que eu estava ali para te perder mas que só conseguia achar todas as coisas lindas que um dia fizemos juntos. Abracei seu corpo e sai. Todos os dias eu insisto em te visitar. Em querer te falar que mesmo torto eu estou ali, ao seu lado, te esperando e te querendo mais do que a tudo o que eu conheço e não sei se um dia deixarei de te amar. Vou lá pra te pedir que você me ame, que você não me deixe só no mundo procurando pelas ruas em que você passou, procurando a sua voz em qualquer gravação de secretaria eletrônica que esta sempre muda. Você, sereno, abre a porta e nada diz, apenas me olha.
Onde foi que eu perdi você? Foi na noite em que menti. Não naquela noite em que menti para você e fui para uma boate qualquer. Foi na noite em que menti para mim e afirmei que eu jamais deixaria o amor me superar. Foi na imaturidade de não reconhecer o amor ou de não querer admitir que eu te amo. Eu estava enganado, o amor atropela qualquer pessoa, mesmo aquelas que se dizem fortes, íntegras e completas na sua independente solidão.
O que posso dizer hoje é que sou infeliz. Admitir a minha infelicidade e a minha incompetência em ter te feito feliz me assusta. Parece que perco as bases que me sustentam. Mas estou sendo honesto. Tardiamente. Por isso te digo que te amo, que te sinto quente dentro de mim mas que não te tenho mais - o que tenho é o amor ainda pulsando por você. O que digo é que te quero, longe, perto ou como for. Que estou disposto a tudo, a ter qualquer barreira gasta pelas minhas unhas para sentir o seu amor de novo, para não deixar o meu amor sem o seu paralelo convergente.
Neste pouco tempo em que estamos separados eu quis me reerguer. Retomei as noites de álcool e drogas que me faziam herói aos sábados. Retomei as amizades loucas, refiz os caminhos por onde corria insano antes de você entrar na minha vida. Beijei bocas das quais eu não me lembraria dez segundos depois. Bolei uma agenda secreta com os números dos homens para quem eu nunca vou ligar. Até de pobre coitado largado na sarjeta eu me disfarcei, julgando ser esta fantasia a mais apropriada para o momento em que abordei outros nas ruas e nas noites. Tudo com ar “fake”, com ar de: “o que você esta fazendo agora além de se enganar de novo? você ama intensamente uma única pessoa, e é ela quem você quer do seu lado, sentindo que esta sendo amada por você”. –
Então sangro, deixo minhas feridas abertas ao tempo para cicatrizarem sem remédios tolos que me curarão mas não me deixarão sentido algum para o que eu sinto e vivo. E digo, declaro, deixo óbvio todo o amor que eu exaspero sem jogos que exijam blefadas. Natural. E espero que a vida me dê a sorte de te ter de novo comigo.
Tsumara Marano
Escrito por Tsumara Marano às 10h20
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