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PASSAMENTO
Sou eu que desço a rua a noite, não aquela sombra. Sou eu, iluminado por esta lua cheia. A sombra não. Ficou plantada ali, metade na parede do supermercado e metade na calçada, dobrada pela quina. Estática, inerte, catatônica. Eu continuo descendo. Claro de uma luz prateada lunar. A sombra preta. Uma mancha de nanquim de manto para cobrir palavras pretas que não se apagarão desta calçada desta parede desta rua que desço e que descerei todas as noites. Até esquecer de quando deixei minha sombra para esconder o que ouvi no momento em que você disse que.
Escrito por Tsumara Marano às 01h18
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